Pesadelos

Pesadelos

20-02-07

Eu adoro filmes de terror

Em que os pesadelos são sempre negros, sombrios e escuros

Adoro ver aquele clima pesado e fechado

(meus pesadelos são muito, muito, luminosos)

 

Eu fiquei extasiado quando li Drácula

E ri e brinquei ao ler o Edgar Allan Poe

Sorri com Frankestein

Vivi e briquei com Lovercroft

(meus pesadelos são mais luminosos que as pinturas de Cézanne)

 

Os monstros de cinema me enfastiam

As vezes me dão nojo

(meus pesadelos são mais coloridos que os quadros de Di Cavalcanti)

 

Em um pesadelo luminoso

No sol quente e belo de Copacabana

Você soltava os pássaros presos da gaiola

Pássaros coloridos, tão lindos

E eles, coitados, de asas cortadas, caiam devagar rumo ao chão

Ao invés de voar

 

Eu chorava e gritava

E te pedia “por favor, diz que não é verdade”

E você sorria, sorria

Um sorriso luminoso, colorido

Tão bonito que doía os olhos

E subia na sacada da janela

E pulava

 

Eu não ti vi lá no chão

Chorei frente a porta do vizinho e gritava e chorava

Uma porta tão verde que o verde descrito nos livros de José de Alencar se tornava pálido

E acordei chorando

Repetindo

“diz que não é verdade, por favor, diga”

 

As noites luminosas vieram

E destruíram todo o negrume dos pesadelos dos filmes de terror

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Este Mundo

No meio do caminho não tinha nada
Até a pedra de Drumond venderam
E a força da grana que ergueu um dia coisas belas
Hoje destrói homens e mulheres, belos e medonhos
Arrastando em sua passagem o sal da terra
E deixando um deserto negro, coberto de esqueletos de prédios mal construídos
A esperança verde refugia-se num canto
Esperando o sol do meio-dia e o canto da cotovia

O Futuro e a crise

Indistintos

Rostos que passam são o passado

Rostos que passam lembram-me o futuro

Que escorre entre meus dedos e a memória

Tenho lembranças do futuro e esperanças para o passado

 

Praia noturna

Caminhando na praia a noite em direção a minha casa

Uma praia que de tão iluminada pouco se distingue do dia

Só longe a escuridão do mar, indistinta

Perto, as luzes cegam quem pensa em estrelas

Da lua, então, nem pensar se pode

Os olhos querem subir em direção aos céus

E são repelidos pelas luzes e pelos olhares desaprovantes dos passantes

 

Crises

Meu corpo em crise não quer andar

O mundo em crise está parando

Pessoas morrem, desesperam-se e morrem mais ainda

Morrem de coração e mente

Meu corpo em crise se recusa a morrer