Achados e perdidos

Achada e perdida

Nos banheiros da vida

Que era boa, era boa

Sabia eu se ia gostar

Pensava saber do seu olhar

Nos olhos freqüentes da mente carente

Já foi

Errante e pedante

Empolgada e excitada

Indiscreta e secreta

Exata

Flecha radiante do negro piche

Que corta o dia brilhante

O espelho do banheiro se quebrou

E eu a perdi na luz da lua queimada

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Escrevendo

Eu escrevo em pedaços de papel

Em margens de livros

Na agenda e na mesa

Digito furiosamente idéias incompletas

Enquanto vejosonho corpos ardentes que passam em frente aos meus olhos

 

Eu escrevo o que não vejo

Escrevo dores que não senti

Amores que não vivi

Desejos que não completei

Escrevo mais nãos que certezas

Escrevo o que não é

Eu escrevo não

Não escrevo

Não

Pergunte ao sol

 

Eu não sei o que houve por aqui

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

E quando acordei já amanhecia

Eu vi tantos rostos lindos

Que mostravam-se na praia sonolenta

Rostos risonhos na areia fina

Areia que entrava em meu dedos

Eu vi tantos rostos lindos

Rostos tristes de um alvorecer doirado

Pergunte ao sol o que aconteceu

Aonde foram parar os sorrisos noturnos

Eu vi teu rosto doce a me fitar

E alvoreceu um duro olhar a me matar

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

Hoje

Hoje

Hoje passaremos a noite a fazer poesia

A cantar alegria

Cada tristeza será um verso doente e cruel

Para ser aplaudido e vaiado

E, principalmente rido

Risos viajantes de copos cheios

Risos troantes de piadas perdidas

Riso

Passaremos a noite a fazer poesia

A rir e gargalhar

Da dor que invejamos e não vivemos

Terça a passar

estrada2.jpgEsta terça custa a passarprato.jpg
Passam pessoas lentas na hora de almoçar
Esta terça custa a passar
quero que o tempo passe rapido e algo de novo venha chegar
e só vejo coisas andando devagar
a musica que toca no rádio é antiga
as noticias repetem-se e nem isso é novo
tudo é velho e decadente neste predio velho
pessoas novas caminham como se velhos fossem
sinto-me um bicho estranho, um dragão perdido na lua
acossado não por um santo, mas pelo doce langor do nada fazer
Ah, se um raio de vontade voltasse
e atingisse a todos e fizesse tudo andar
Ah, se um raio de vontade saltasse e tudo movimentasse
mas até as ondas do mar são lentas
e o sol torna tudo languido e preguiçoso
até minha preguiça se torna um ponto
neste mar de preguiça involuntária que o verão se tornou
Chegue logo meu amor
não consigo aqui ficar

Tristezas

30/8/2005 07:46
Um velorio, como aqueles do interior, concorrido
salgadinhos, cachaça, choros, lembranças do que já se foi
Eu, enlutado por um amor perdido e pelo amigo morto
vi teus seios furando a blusa negra – tesão!
O enterro foi triste, como qualquer enterro
E fiquei só, esquecendo tua blusa negra

 lagrima.jpg

Areia

20/8/2005 17:25

Tristeava pela praia, distraído

meninas passavam aos abraços com namorados
um vendedor de picolé com uma caixa pesada
suava, com um olhar de desespero enquanto poucos compravam
uma familia comia mariscos refogados
e o menino espalhava areia em cima das toalhas

O mar estava lindo
E as ondas, ao bater, choravam como eu queria chorar e não conseguia
Uma loira sentada compunha ao lado de gordo um quadro estranho
parecendo uma foto de revista de fofocas

Parei
queria lembrar-te alegre
lembrar-te cantando
mas tudo o que eu conseguia
era ver um velho dançando na calçada de copacabana
como se estivesse em um sapateado no palco da Brodway

As lagrimas desciam pelo meu rosto
quentes, amargas, salgadas, viscerais, entediadas

Os dias em Copacabana são cada vez mais quentes,

As noites também.

Na calçada, passam putas tristes e alegres

Olhando cada homem como um cliente em potencial

Sorrindo amargas, convidativas.

Alegres, enjoativas.

É triste lembrar que o seu amor se foi

Perdido no interior desse Pais imenso

É triste lembrar as brigas viscerais

Em que tudo o que temos de ruim veio a tona

As águas que rolaram do meu rostos

São mais salgadas que as do mar em Copacabana

Andando na areia, olhando o mar

Dos meus olhos descem águas entediadas

O oceano cobre o meu rosto sem que eu tenha saído da areia

Dias Corridos

 

sol07.jpgOs dias que correm e que são corridos

Mais parados que o sol do meio dia

Corridos porque não corremos

Corre o dia, corre a cotia

Só não corre nossa vida tão corrida

O sol do meio dia esquenta e entedia

Corre a vida escorrida em sarjetas arredias

Só não corre nosso amor arredio

Corridos estão todos

Corridos os pedidos chorados

Corridos os dias perdidos em bares e vias

Corridos estamos

Em busca de dias corridos e vidas corridas

Em camas beijos e sofás

Escorre mais que corre o amor fugidio

Eu busco o dia e só encontro noites

Eu busco o clarão do meio dia

E encontro a lua em via de se tornar poesia