Cansaço

 

Policiar me cansa
Cansa-me não falar palavrão quando não devo
Cansa-me não brigar a hora que não posso
Cansa-me não beijar quem não quer
Cansa-me não amar quem não me ama

Somos policiais de nós mesmos
Escondendo os desejos
Traindo nossas ambições
Prendendo nossos sentimentos

Eu quero virar ladrão
Ladrão de corações e beijos
Ladrão de sentimentos

Que vive dos sentimentos alheios
Que sofre as dores e sorri os sorrisos do outro
Porque os meus foram tão policiados que se esconderam

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Precisa-se de um novo amor

Classificado

Precisa-se de um novo amor

Que, antes de tudo, eu não precise explicar o que é o amor

    Que seja honestamente desonesta

    Pois as mulheres sempre mentem

Que saiba fazer poesia com os olhos e o coração

    (não precisa botar no papel)

Que saiba me colocar no colo quando vir meus olhos tristes

    E queira sentar abraçadinha em meu colo quando chorar

 

Que saiba dizer eu te amo a hora em que não preciso ouvir

    E também nas horas em que preciso ouvir

    Que saiba ouvir eu te amo sem enjoar

        E principalmente saiba responder

 

Que me beije a qualquer hora

    E me peça para segurar sua mão quando andar na rua

 

Que brigue muito comigo

    Que tenha ciúmes

E depois me beije, me abrace

    E diga que me gosta e já esqueceu tudo

 

Que seja minha companheira e saiba dizer que estou errado sendo carinhosa

    E saiba errar sem se incomodar

Que saiba chegar devagar

    Pois o amor não pode se apressar

Vida

 

Vida

 

A minha vida é triste

Eu sou alegre

Premido por esta contradição

Sigo em frente

Choro as vezes

Rio

 

E me derramo rio afora

Rio adentro

Na praia em dia de sol

No mar banhado pela lua prateada

(e me sinto envergonhado pelo pobre verso com adjetivo tão banal

Mas a lua me consome e não me deixa falar mais nada)

 

 

Terras e sonhos

Eu sou terra e sentimentos

Eu sou ar e pensamentos

Queria ter sentimentos belos

Queria que o amor fosse meu maior pendor

Mas, ai, da minha cabeça dura

Sobra muito de amargor

Sobra muito que vem deste mundo cruel e humano

(desumano? mas o homem é o animal mais cruel que sobre a terra)

Eu quero a felicidade

Brigo por ela e sei que ela não virá só do meu labor

É dificil ser feliz quando no mundo há tanta dor

é dificil ser feliz quando no mundo há tanto engano

Eu, duro, enrijecido pela luta, triste pelas mentiras,

sigo, as vezes só, muitas vezes acompanhado

Galgando os céus aqui na terra

(que de ilusões sobre outras vidas não vivo mais)

Queria espalhar o amor

Sofro a dor

Vendo esperanças, mostro os sonhos, caminho em direção a lua e as estrelas

 

“no momento estou,no RIO,aonde trabalho!!!

mas,perdida nunca!!!”

Eu, perdido em sonhos, torto em meus pensamentos

Ando solto por Copacabana

Tentando ver se há algo no mundo que me prenda

Queria ter a certeza de não estar perdido

Queria estar certo e não desnorteado

(ou quem sabe, orientado para o sul, para o oeste ou para o leste, mas sem rumo…)

Meu unico rumo é girar o mundo

Vira-lo ao avesso, de ponta cabeça,

Romper todas as barreiras e todas as muralhas

que separam o humano do ser humano

Queimar no fogo do inferno os que fazem do mundo um não mundo

 

Quem trabalha faz o mundo

E quem faz pode, um dia,

Tomar em suas mãos o que ele proprio faz

E eu, sonhador do presente,

Ajudo a quem trabalha a por as mãos no futuro

De convites e de crises

Eu queria fazer um convite poético

Falta-me talento e inspiração

Tudo o que consegui foram linhas atravessadas

Dizendo que agosto é mês de gosto

E o gosto posto em mesa poética

Que todos saberemos apreciar

 

 

 

Estive em São Paulo em plena crise

Naquela segunda em que tudo parou

E que a marcha ao caos do capitalismo se mostrou, odiosa, monstruosa, temerosa

E agora, o que resta?

Resta o nosso combate pelo socialismo

Resta irmos todos ao encontro de nossa comunidade

Pois “enquanto houver burguesia não vai haver poesia”

É certo

Mas, até acabarmos com a burguesia

Seguimos tentando fazer poesia

Enquanto a nossa volta o capitalismo tudo destroi

Carta a mulher amada

Bom Dia Amor

Como é que você vai? E as crianças? Desistiu de fazer política? …….. E a …..? Continua muito irônica? Melhorou daquele probleminha de saúde ou ainda sente? E ……..? Insolente como sempre?

O ………e a ……….estão indo muito bem. O ……..está atolado até o fundo do coração naquele seu projeto de curso, preparando-se para passar para a pós-graduação. Não digo que não sinto falta dele porque sinto. Imagina só, minha filhinha segue, em determinada medida, os passos do pai. Me sinto orgulhoso e temeroso. Sei lá. Acho que você deve sentir isso em relação a…….., só que ela está ai ao teu lado, em determinada forma você não pensa mas controla o que ela faz. A ……..está longe. E perto. O coração sente.

Desde ontem que estou com saudades da minha avó. Fica voltando em minha mente as cartas que recebia dela, longas, escritas com uma caneta mais roxa que azul. Cartas simples, falando do dia a dia, do doce de figo, da saudade, perguntando pela saúde dos outros. Alguns dizem que foi o e-mail que matou as cartas. Sei não. Pra mim foi o telefone. Quando instalaram o bicho lá em casa, quando a gente consegui falar com a Campos Altos, as cartas começaram a rarear. Mais fácil falar. E o bichão preto, ali do lado, sempre que se queria era só pegar e chamar a telefonista. Depois veio a ligação direta, sem telefonista. Mais simples, mais fácil. Matou as cartas.

Ai, agora, volto a escrever cartas. Sintoma de morte? Não acho. Acho que meu renascer – você deve ter visto a poesia que fala disso – me levou por caminhos que nem eu suspeitei que existiam. Ligou coisas iligáveis. O novo e o velho. Meu coração disparou por caminhos que não percorri, subiu montes que não devia ter subido e bronzeou-se no sol da manhã.

Ontem, ao chegar em casa vindo de SP soprava uma brisa ligeira. Trazia o cheiro do mar, o primeiro cheiro do mar de quando pela primeira vez cheguei ao Rio. Não digo que não senti tua falta. Sabes que sinto. Mas é um sentir doce, sem mágoa, mais para esperar que para doer.

As visitas da minha avó em minha casa eram diferentes. Trazia um vento novo, um que de doçura que nunca mais tive. Ela nunca veio ao Rio, embora eu tivesse mudado quando ela ainda era viva. Não consegui ir ao seu enterro. Chorei como nunca tinha chorado antes, sempre pensei que minha avó viveria para sempre. As lagrimas descem pelo meu rosto quando escrevo isto e não consigo evitar. Minha mãe ficou de mal comigo por não ir ao enterro mas doía demais. Depois, enterrei outros. A dama branca tem amores estranhos. Levou meu tio Cornelio, minha tia Sinesia, meu tio Osmar, meu pai, meu avô (quando meu pai ainda era vivo), minha outra avó, meu outro avô. Sobra minha mãe. Meus irmãos. Segue a vida e sigo eu. Renascido, embrutecido e terno.

Os amores hoje passam sem muitas dores. É isso que significa ter o coração duro, renascido. Os sonhos aumentam a medida que envelheço. Perco o juízo que tive, se é que tive, em algum momento da juventude.

….. As serras de Petropolis continuam lindas. Existe a tentação. …as serras estão lá, está lá o barzinho, o hotel, todas as coisas boas que valem a pena ser vividas. Está lá o teatro onde assistimos ……… Estão lá os bosques e as casas que você sonhou um dia em viver. ……… A paciência continua pequena, você sabe, mas eu a tenho suficiente ………

Beijos ……..

Luiz

A fé e a vida

O fim da fé 16/9/2005 04:26

A fé é cega
e nos fazem acreditar desde criança
em papai noel, em fada madrinha e em deus
e nos levam as igrejas
e nos ensinam a rezar

Minha cunhada não gostava da palavra desgraça
“é estar fora da graça de Deus”
Ensinou meu sobrinho a rezar
“Ave Maria…”
E ele repetia, rindo, toda hora que eu pedia pra ele rezar
“Ave Maria cheia…DESGRAÇA”
e dessa voz inocente de criança
chorava minha cunhada

Muitos são como ela
chorando o que não deve ser chorado
por achar que precisamos ter fé
que precisamos acreditar
Quando a unica coisa que precisamos
é nos despir de toda a crença
e seguirmos nossas convicções

Coloque-se o rei a nu
Como não se tem dinheiro para isso ou aquilo
e se tem bilhões para 3 ou 4 banqueiros de juros de dívida?
é preciso repetir, como Maiakovisk
“come caviar, mastiga ananas
Tua hora chegou, burguês”