Poesias

 

Descanso

descansei da poesia

esta velha maldita cheia de palavras e cadeias

que me prende sempre em frente

em rimas mediocres desfeitas em lagrimas

descansei da poesia

quem dera descansasse da vida

 

A minha vida é triste

Eu sou alegre

Premido por esta contradição

Sigo em frente

Choro as vezes

Rio

 

E me derramo rio afora

Rio adentro

Na praia em dia de sol

No mar banhado pela lua prateada

(e me sinto envergonhado pelo pobre verso com adjetivo tão banal

Mas a lua me consome e não me deixa falar mais nada)

 

30 de agosto de 2005

Beijos

  BeijosEspalhados pelo ar

BeijosQue quero te dar

BeijosArrependidos

BeijosMalditos

BeijosDe judas

Beijos De  amor

BeijosSelvagens, mordidos

BeijosQue descem da boca ao pescoço

BeijosQue acariciam o umbigo

BeijosColados

BeijosFlutuando nas ondas do mar

Beijos entre tuas coxas umidas

Beijos Que te fazem estremecer

BeijosQue não queres receber?   

Minha cidade

   

Nasci numa cidade pequena que não chega a dez mil habitantes

Aprendi a ser verdadeiro

que numa cidade pequena não se pode mentir que todos descobrem

Destesto mentirosos

e apaixono-me perdidamente por elas

Sofro, morro, nasço novamente

e me apaixono errado, pois errar é tudo que se faz numa cidade pequena

 

Cidade – II

A linha de trem cortava a cidade em duas

Cada lado subia um morro

No alto de um dos lados, tinha uma igreja e um cemitério

Do outro lado uma cruz e a caixa d´agua

 

Minha avó materna morava no morro da igreja

E minha avó paterna no morro da caixa d´agua

Faltava água na casa de minha avó materna

E sobrava igreja nas duas casas

 


  
 

 

Cidade V

O Trem, para lá chegar, tinha que subir uma serra

E só se subia com duas maquinas

Trens de carga, de tão compridos que se perdia de vista

Trens de passageiros com os vagões de segunda

pessoas tristes esparramadas em bancos de madeira

E ali, primeira vez, eu via a diferença social

Não entendia porque as pessoas iam de segunda

Para subir era difícil

Para descer, se o maquinista não fosse bom o trem descarrilhava

Voando morro abaixo, arrastando cargas e passageiros

Para fixar os trilhos, pedra batida

Pedras para calçar as ruas

Pedras cortadas por onde o trem passava

 

O meu coração endureceu

Olhando as pessoas estiradas nas calçadas do Rio

Nos amores perdidos, nas noites solitárias

E para se chegar a ele tem que se atrelar duas maquinas

E subir a serra, resfolegando

E para descer tem que ser bom maquinista

E torcer para que não existam pedras na linha

  

  
Falei contigo de manhã  

 (Grito agora)

Te falava de amor e carinho

(passei em uma cidade dura e fria)

Te falava de beijos

(as crianças, nuas, jogavam pedras nos carros)

Te falava de abraços

(A raiva de um operário que vai ser demitido – a culpa é do Lula)

Te falava de encontros(encontro 500 peões que vão pra rua e Lula nada faz)

Queria te falar de sonhos

(e os sonhos desfeitos de quem acreditou que tudo ia mudar)

De poesia, de lua e de estrelas

(o olhar duro, contrafeito, de quem sabe que só consigo pode contar)

Queria te mostrar a lua sorrindo na praia de Copabana

(tenho que juntar os olhares duros para enfrentar o patrão)

Queria ter tempo pra te namorar

(e o meu tempo se consome em organizar a raiva e a decepção)

Queria ter tempo para te poetar

(e as reuniões sucedem-se para ajudar a entender a dura nação)

Te beijo com carinho

(despedimo-nos da reunião com mais firmeza e resolução)  

  


 

 

7 de Setembro

Quem sabe se D. Pedro levantou a espada?

La, em 1822 não tinha TV nem foto

Sobrou o quadro do Vitor Meireles (se é que não esqueci o nome)

E neste dia que amanheceu chuvoso

Em que se cruzam manifestações, paradas e feriado

Tudo o que eu quero

Tudo o que desejo

É ter alguém para amar

Para falar baixinho em meu ouvido

E dizer: eu te amo, te quero, sou tua!

  

   


 
  

Eu hoje não tenho nenhum motivo para estar triste

O sol nasceu, a praia está linda

Uma menina bonita sorriu pra mim na praia de Copacabana

 

O livro da Ana Cristina que li era alegre

E o filme que assisti não era um drama

Não tive problemas no transito

Nem ninguém me ligou assustado

 

Apesar disso

E com isso

Não estou alegre

Falta-me um amor que preencha um pouco do meu ser

E também saiba dividir comigo um pouco de alegria

 


 Pois é quando falta o que fazer

Quando o mundo fica chato

faço poesia

(poesias que carregam a chatice do mundo e a raiva de sua brutalidade)

poesias que retratam o meu amor e minhas desilusões

(poesias que carregam a dor dos esfaimados e desempregados)
Eu posso dizer de mim

Não posso dizer dos outros

Eu acredito (e desacredito)

Eu quero um amor (e tenho medo)

Eu quero amar (e sofro)

Eu amei (e sofri)

Assim, levo a vida

Amando sem acreditar

Sofrendo amores desacreditados

12 de setembro de 2005Leituras (Cidade – VII) 

A casa da minha madrinha era cheia de livros

Principalmente livros de Julio Verne

Eu sonhava com Julio Verne

Subi 5 semanas em um balão

Vivi em uma ilha misteriosa

Fui disparado em direção a Lua

Sofri sob o sol do verão de 40° o frio do Polo Norte

Chorei nas estepes russas

Viajei ao fundo do mar

Na casa do meu tio

Outro lado da cidade

Existiam livros de Victor Hugo e filosofia

Assim viajei na catedral de Notre Dame junto com seu corcunda

Chorei o sorriso triste do homem que ri

Morri em noventa e quatro

E todos os dramas me mostravam que Deus era uma lenda

Eu corria entre a filosofia e o drama de Victor Hugo

Pulando os trilhos entre uma casa e outra

Chupando manga nos quintais

Sentado e deitado nas varandas

Até os sonhos de Julio Verne

Assim passavam as férias

Assim fui feliz

Ainda não conseguia ver o drama da miséria que florescia aos pés de livros e quintais  

 

  

Metrô

No Metrô, hoje de manhã, com o dia esquentando em Sampa

Todos tristes e desacossoados

Como parece estar toda a nação

O trem passou em cima de um canal e

a cidade molhada tinha um ar de Berlim em fim de inverno

Entrou um casal de japoneses

A cara amassada, como são todos os japoneses

E eles sorriam, riam e brincavam entre si

Quando a gente ama a gente não vê a tristeza do mundo

Nem a dureza de nossa vida cotidiana

 

   

Deixei teu poema do ciume lá nos meus recados…

E agora, o que faço?

Apago? Esqueço? Envaideço (é isso que estou …rs)

(e me lembro que estou pesando mais do que devo, que preciso emagrecer)

(e só escrevo por parenteses, elipses mentais distorcidas, riscos esmaecidos dos sentimentos)


 

 O Rio amanheceu sorrindoSorrindo para a primavera que vem chegandoSorrindo de amor e alegriaO sol espraia-se por toda a cidade A tarde as nuvens escurecem a cidadeE a noite depois do cinema a chuva caiuDevagarinho, em pingos curtos, como quem pede desculpas Eu hoje estou assimSorrindo com a primavera próxima Chorando como quem pede desculpasE, sorrindo e chorando, corro atrás do amor Enquanto o pais se despedaça Trabalho depressa para salvar o que for possívelFaço o que posso, depressa e demaisO Rio amanheceu sorrindo

As crianças no sinal não tem tempo de sorrir

 

   
 

 Cidade VIII – Meu avo era MaestroMeu avo materno era maestro de bandaCompunha…e todas as suas composições perderam-seEle era apressadoUma vez me apresentou uns amigos seusEnquanto eu falava duas frases, procurei meu avôE ele já estava no alto do morro, deixou-me embaixo A noite eu ia nos ensaios da bandaE dormia com o barulho ensurdecedorMeu tio não acreditavaE tinha que subir o morro me carregando no colo Meu avo tomava um bule de café por diaE almoçava com prato na mão, andando pelo terreiroNunca consegui me aproximar demais deleQuando chegava, ele já tinha ido Algumas pessoas são assim na vidaQuando chegamos, elas já foramEu tentei com meu avôE aprendi não tentar maisE sigo esperandoQuem queira esperar ou chegar também

 

   
Eu quero ir ao fundo do mar, eu preciso viajar até as montanhas da luaEu preciso subir no everestE descer embaixo das nuvens de venuspatinar nos aneis de saturnodeslizar pelas encontas do kilamajaroE te encontrar nas montanhas vermelhas de marte     

 

Cidade – IX – Aprendendo a nadar

Quando aprendi a nadar já tinha 10 anos

Aprendi numa piscina e maior alegria era ir nadar

Minha mãe não gostava muito, nossa tia nos levava

Andávamos correndo pelas ruas de pedra até a piscina

 

Eu nunca nadei em rio

Nem em açude que começavam a construir

E deste nadar aprendido em piscina

Sobrou, como sempre, o desajeito

 

Na universidade, ao fazer educação física

Tínhamos que escolher um esporte

E, eu que nada fazia, escolhi natação

 

Nunca consegui bater os pés direito

Nem sabia prender a respiração

Mas atravessei com meu nado desengoçado (nem cachorrinho era)

A piscina de lado a lado

Assim, passei na matéria por saber nadar

Num estilo que nunca foi repetido

   

    
 

 Um dia depois das eleições no PTO dia ensolarouE as pessoas passavam felizesEncontro pessoas felizesFestejando vitórias e derrotas Eu, quieto, esperandoSabendo que é um passo mas muito há a fazerOlhando os que na rua nem viram nem querem saberVejo o garoto que pede para engraxar um tênisSem saber se rio ou se choroParo, perdido, querendo uma saídaE me comparo a todos que buscam uma saídaUma luz no fim do túnelRelembrando a velha piadaÉ um trem e vai passar por cima de ti Paro e comparoRelembro que é preciso ao inicio voltar  

  
Aos 15 anos acreditava no amor eternoAos 20 não acreditava na virgindadeAos 25 me caseiAos 37 minha mulher me mandou emboraRepeti o erro…E casei de novo aos 42Ai a outra também foi emboraE agora eu jogo dados para saber com quem eu saio

Estou de voltaDe uma jornada em torno do passadoCheia de dores e decepçõesAcolchoada pelo carinho da familia (irmãos, irmãs, filhos)Repleta de novas descobertasEstranha pelo descobrir a tristeza de quem se foiTemperada por uma balada com amigos noite a dentro em que fechamos 3 bares e uma boate Esquecida de novas e velhas amizadesTemperada a vinho, caipirinha e muita cerveja que não bebiEsquecida em dias chuvosos, frios e sem sol 
  

Protocolos

Porque tenho que ser eu a desligar

Se quero continuar a te falar

Se quero que me ligues a toda hora

A todo momento

Em qualquer lugar

 

Eu quero que me ligues a meia noite

Quero ouvir tua voz as 3 horas da manhã

Quero acordar com a campainha do telefone as 6 h

E ver teu nome no visor

 

Estou te querendo

Estou te amando (ai, será que estou?)

Venha para mim

Chegue-se a mim

Me beije

Me abrace

Me carregue


   SonhosConstruímos os sonhos com nossas mãosBrigamos, erramos, lutamosMas seguimos em frente Ocupamos a fazenda de alegriasExpulsamos todas as tristezas que lá existiamE plantamos os sonhos em seu lugar Levantamos o edificio do amorTijolo a tijo, numa dura construçãoDestruído pela cruel decepção Agora, de novoEstamos a construirUma nova casa, só nossaJuntos, só nós dois  

   RegrasRegras tão desiguaisAjudam e atrapalhamSe escrevo sem acentosSem cedilhas e sem pontuaçãoPra começar esta desgraça de processador não deixaE depois quem entendera? Eu não gosto de regrasSigo-as para ser entendidoAdoro o teu jeito anárquicoÉ um novo eestilo a ser cultivado Sinto o teu amor na falta de virgulas e pontosNa busca apressada de tudo me contarGosto dissoGosto de tiMais que pensava gostar
Eu queria não pensar sempre em tiQueria me libertar e não acordar te lembrandoQueria me soltar e não tentar te achar a noite na cama vazia Estou presoDoidamente presoAcorrentado em tiEm teus olhos e no teu sorriso A minha prisão é docea porta é um sorrisoa fechadura é um beijo doce que me deste Não, não quero me soltarQuero cada vez mais ser presoQuero tuas pernas a me envolver e me amarrar
Noite de primavera,céu com lua,sorvendo à atenção pelo olhar,fez um poeta tropeçar.Prateando seus pensamentos querendo para ela ligar!!    Eu sonhoRelembro Julio Verne e sua viagem a LuaQueria um canhão para te chamar a atenção (que esta rima vulgar só te afasta)Queria ser o sol a te iluminarE, transfigurado pela tecnologiaSobraram estas pobres linhas friasEnviadas por meios eletrônicosEm caminhos que não se pode acharPara lugares onde não se sabe chegar Desejo teu beijoTeu abraçoMorro tentando te alcançarEstico-me para a lua tocarBato a cabeça no armárioQue me lembra a realidade e me faz ao chão retornar

 

 
   Dormi cedo Embalado pelo som estridente da TVAcordei meio estranhoSem saber se deveria dormir  ou ficar acordadoA noite está silenciosaTodos dormemNem o barulho dos carros na Avenida Copacabana se escutaQuero sonharQuero amarE ser felizE o silencio me atormenta tanto quanto o barulhoQuero descer e ver a praiaA janela na minha frente está iluminada e fechadaMeu apartamento, escuro

E a tela do computador não pode responder aos meus tormentos

 

      ……. 
é sol, e o sol ilumina a Lua que nasce dourada no final da tarde…é sol, e o sol ao descer deixa a Lua cheia ee douradaVocê é a Lua cheiaDourada, Luminosa, sorridenteEu, que como Bandeira, sempre fui apaixonado pela lua novaPelo gotico, pelo negro e pelo invisívelRendo-me aos encantos da Lua Cheia

eu  ando feliz isso atrapalha a poesia…a poesia é filha da tristeza, irmã gemea da solidão) Eu ando felizE tudo o que escrevo é bestaA felicidade é bestaCarrega um atrapalho ao se expressar Eu ando felizE não sei o que falarTento falar de amorTento falar de paixão Lembro pessoas e situações tristesMas elas não me tocam o coraçãoQuando a gente ta felizNada que acontece nos atrapalha(nem o meu aumento de peso)(nem tua falta, não existe solidão)  

      ……. 

O rio não quer ensolararOs dias molham-se em chuvas e chuviscosAs pessoas passam, apressadasNão se parecem com cariocasE muito menos com turistas Minhas viagens pais a fora me deixam loucoEstou sem raízes, sem ficaresEstou perdido num universo imensoVejos estrelas, vejo a luaOlho crianças tristes, vejo trabalhadores de rosto enfezado Os dias passam e os jornais só falam de sujeirasCada um que fala na TV aumenta a sujeiraLembranças tristes percorrem meu rostoMomentos felizes me acordamE busco um novo caminhar, um novo sorrirNum mundo cada vez mais sombrio   

    
 

 Lanço um grito desesperadoA todas minhas amigasOnde estão vocês que eu não vejo?Onde estão vocês que não as encontro?    

Hoje, o dia se encheu de fantasmas

Sinto tua falta imensamente

Chove

Queria te ter ao meu lado

Preciso de teu sorriso

do teu riso solto, alegre, frouxo

preciso de tua alegria

preciso de teu abraço

sinto falta de teu beijo em meus lábios

sinto falta de teus dedos em minhas costas

quero tua mão em minha mão

quero teu olhar procurando os meus olhos

Te quero toda, inteira e partida

a chuva me traz melancolia

desenterra fantasmas

quebra sorrisos

preciso urgente de ti

para passar pela chuva sem me afogar

   

Quero andar nas estrelasQuero andar na luaMeus pés não cabem no chãoMesu pés não sentem a areia da praia Estou sonhandoAmandoRindoE brincando Quero o sol Quero patinar nos aneis de saturnoQuero pular nos asteroides Quero voar ao ventoIgual folha soltaA luz do luarDevagarCaindo  em direção a um monte de folhas mortas
Numeros mágicosQuando adolescente eu adorava (ainda adoro) ler livros sobre numeros e suas relaçõesLi sobre numeros perfeitos e imperfeitossobre numeros quadrados, primos e tantos outrossobre quadrados magicose, eu sei, numeros magicos não existem (minha consciência científica se rebela contra este conceito)
      Queria dizer a todos uma mensagem de esperançaQueria dizer a todos que o mundo vai melhorarQueria dizer a todos que vamos amarQueria dizer a todos que vai ter paz Mas, não possoPosso contar a dura realidaderealidade sem poesia e sem sensibilidaderealidade em que os fogos de copacabana encobrem os mortos do dia a dia do RioEncobrem a fome e o desespero de quem não tem empregoencobrem a ganancia de uma burguesia que não é mais genteenconbrem a cara de capachos de deputados e governantesque tentam se mostrar diferentes e são tão iguais Eu sigo a minha lutaa minha dura lutaEu sigo a minha tristezaE tento mudar o mundo e é isso que me dá esperança  

fogão

Num fogão de 6 bocasela cozinhava peixe e cantavaO peixe, quase sempre, ficava muito bomas canções foram esquecidase o fogão jaz em minha cozinha, mais sujo que limpoTalvez usem duas ou três bocas, mas nunca mais usaram as seisNa mesa, outro dia, tinha 8 pessoasmas nunca mais foi igualAinda tem almoços com muitosTem crianças que correm pela casaE tem muita musicaOs gritos diminuiramAinda abro a geladeira procurando um cheiro que não mais se espalhaOlho o fogão e vejo um fantasma a cantar e mexer panelasOu então, furioso, a limpar o fornoAs vezes a comida vem sofisticadaoutras vezes com um gosto de comida caseiramas aquele tempero que vinha do seu cantar não se sente maisO café da manhã terá iogurte batidoterá ovos quentese queijo derretido Mas falta algo …e isso não posso mais esperar   

Vivendo 30/01/2006 17:23

Vivo

Quase morto

andando qual um morto vivo pelas ruas e shopings

deitado no sol na praia quente

a agua fria queima meus pes

e os corpos deitados não me atraem

vivo

quase morto

as paixões já deixaram meu coração

que já não bate apressado quando vejo teu nome

ou quando ouço tua voz

o coração, como sempre, endureceu

rio

sorrio

neste rio tão sorridente, tão indecente

mendigos nas calçadas deitados e ninguem ve

passam a sua volta

putinhas tristes vendem seus corpos a quase homens

trabalhadores suam no sol de 40 graus

a vida, dura, segue seu curso

o coração, endurecido, bate sem problemas

a pressão continua 11 por 7

as luzes da Rocinha não me atraem

e o tunel já não é triste

a cabeça, erguida, esquece dores

e procura novos rumos, novos sabores

Morto

Quase Vivo

já não sinto vontade de ouvir teu canto

 

    

 ..

Novo Ano 31/12/2005 15:21

Um ano nada novo se inicia

A vida, impiedosamente, continua igual

amigos novos

amigos que se foram

amores que se quebram a primeira dificuldade

amores que vem e se vão com facilidade

Tento seguir em frente

tento ver o novo no ano novo

e vejo o de sempre

Queria até escrever algo alegre

mas a minha poesia continua a seguir na velha tristeza do sempre

  Queria dizer a todos uma mensagem de esperançaQueria dizer a todos que o mundo vai melhorarQueria dizer a todos que vamos amarQueria dizer a todos que vai ter paz Mas, não possoPosso contar a dura realidaderealidade sem poesia e sem sensibilidaderealidade em que os fogos de copacabana encobrem os mortos do dia a dia do RioEncobrem a fome e o desespero de quem não tem empregoencobrem a ganancia de uma burguesia que não é mais genteenconbrem a cara de capachos de deputados e governantesque tentam se mostrar diferentes e são tão iguais Eu sigo a minha lutaa minha dura lutaEu sigo a minha tristezaE tento mudar o mundo e é isso que me dá esperança 

Vivo

Quase morto

andando qual um morto vivo pelas ruas e shopings

deitado no sol na praia quente

a agua fria queima meus pes

e os corpos deitados não me atraem

vivo

quase morto

as paixões já deixaram meu coração

que já não bate apressado quando vejo teu nome

ou quando ouço tua voz

o coração, como sempre, endureceu

rio

sorrio

neste rio tão sorridente, tão indecente

mendigos nas calçadas deitados e ninguem ve

passam a sua volta

putinhas tristes vendem seus corpos a quase homens

trabalhadores suam no sol de 40 graus

a vida, dura, segue seu curso

o coração, endurecido, bate sem problemas

a pressão continua 11 por 7

as luzes da Rocinha não me atraem

e o tunel já não é triste

a cabeça, erguida, esquece dores

e procura novos rumos, novos sabores

Morto

Quase Vivo

já não sinto vontade de ouvir teu canto

  

Sao Paulo tem novidades 05/02/2006 16:43

Tem mais de 30 anos que venho a Sao Paulo

Sempre a igual cidade

cinzenta, pesada, chovendo, cheia de predios e gente apressada

você pode pensar que o Rio é grande

Mas Sao Paulo é maior, é sufocante, grande

 

Nestes dois dias estive num bairro chamado Tucuruvi

Luminoso

gramado

com pequenas mercearias qual cidade pequena

os carros rugem pelas ruas e os moradores passeam devagar

conversam em vendas que parecem vendas de Campos Altos

 

Fiquei feliz

Andei pelas ruas solto e sentindo que aqui a cidade era cidade

e não esta babel de cimento, carros e correria

 

Sigo feliz em direção a madrugada

rodeado de uma luminosidade, de estrelas e de gente

sigamos em novas trilhas

descobrindo luminosidades onde só pensavamos existir cimento e pedra

Este é o meu devir

este é o meu sonhar

Voando sempre para o alto

procurando Betegeuse, olhando a Lira, sentindo Alfa Centauro e

deslizando entre as nuvens de Magalhães

Definitivamente, não nasci para sonhos pequenos

As estrelas me olham e me buscam

e a Lua é pouco para o meu sonhar

 

    

 ..
      

Sao Paulo

Sempre a igual cidade

cinzenta, pesada, chovendo, cheia de predios e gente apressada

 

bairro Tucuruvi

Luminoso

gramado

com pequenas mercearias qual cidade pequena

os carros rugem pelas ruas e os moradores passeam devagar

conversam em vendas que parecem vendas de Campos Altos

Andei pelas ruas solto

 

Sigo feliz em direção a madrugada

rodeado de uma luminosidade, de estrelas e de gente

descobrindo luminosidades onde só pensava existir cimento e pedra

Este é o meu devir

este é o meu sonhar

Voando sempre para o alto

procurando Betegeuse, olhando a Lira, sentindo Alfa Centauro e

deslizando entre as nuvens de Magalhães

não nasci para sonhos pequenos

As estrelas me olham e me buscam

e a Lua é pouco para o meu sonhar

 

    

 ..
       

Errando a poesia 09/02/2006 23:06

Não sou poeta

não faço poesia

as palavras que saem do teclado em rapida formação

em formato de versos são erros que cometo em vida

 

certo, a vida não é tão certa

a miseria e seus exploradores seguem em alta

os amores acabam mais depressa do que chegam

mas isso não é motivo para errar nos versos

 

sem explicação

sem solução

sem uma só razão

despejo palavras rudes

quando deveria tecer loas ao mar e as estrelas

 

rude

dura

enrijecida tal qual meu coração

o que escrevo não é poesia

são erros sangrados de um coração enferrujado  

 

    

 ..  
 

Precisa-se de um novo amor

Que eu não precise explicar o que é o amor

Que seja honestamente desonesta

Pois as mulheres sempre mentem

 

Que saiba fazer poesia com os olhos e o coração

(não precisa botar no papel)

Que saiba me colocar no colo quando vir meus olhos tristes

E queira sentar abraçadinha em meu colo quando chorar

 

Que saiba dizer eu te amo a hora em que não preciso ouvir

E também nas horas em que preciso ouvir

Que saiba ouvir eu te amo sem enjoar

E principalmente saiba responder

 

Que me beije a qualquer hora

E me peça para segurar sua mão quando andar na rua

 

Que brigue muito comigo

Que tenha ciúmes

E depois me beije, me abrace

E diga que me gosta e já esqueceu tudo

 

Que seja minha companheira e saiba dizer que estou errado sendo carinhosa

 

    

 
 

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