Amor e Odio em poesia e arte

Professoras

15, Outubro 2009 · Deixe um comentário

Lembro da minha primeira professora: chamava Leontina. Era meio gordinha, eu acho. A professora da sala ao lado era doida, jogava apagador nos alunos.

Não lembro das outras professoras do primário, da primeira até a quinta serie. Sei que a professa da primeira serie me ensinou a ler rápido. E que tirei foto com a professora da quinta serie quando me formei no primário. Sim, a gente se formava no primário nos tempos idos.

Não lembro das professoras do ginásio. Nem dos professores. Lembranças vagas, como um professor de Geografia que me deu um livro de Malbha Than (contos do povo de deus) e que me abriu os olhos para outro tipo de literatura. Lembro de uma professora de matemática que fazia tudo para nos agradar e que todo mundo achava chata (eu não achava nada).

Ah, lembrei de uma coisa importante: as professoras não me ensinaram a lembrar.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Reflexões de um (ex)sábio

28, Setembro 2009 · 1 Comentário

Reflexões inuteis a lá Nietzsche e Paulo Coelho

Axioma da Educação

Voce descobre que está velho quando olha aquela mulher gostosa no metrô, ela lhe sorri de volta e, ato continuo, lhe oferece o lugar para que voce possa sentar.

Luiz, o (ex) Sábio

Axioma da Educação (2)

Voce descobre que está velho quando depois de 6 meses de dieta e malhação, airoso, janota, um pouco gabola,  passa por duas cocotas lindas na praia e ouve já se afastando: “esse cora babaca tá se achando”

Luiz, o (ex) Sábio

Corolário

Se voce não ouve, então é que está velho mesmo

Luiz, o (ex) Sábio

Corolário de significado

Se voce sabe o que significa airoso, janota, gabola e cocota está velho mesmo

Luiz, o (ex) Sábio

Corolário cultural

Se voce e jovem, mas conhecece o significado das palavras listadas no Corolário de significado voce é um jovem culto. Parabens!

Luiz, o (ex) Sábio

Corolário de sabedoria

Se voce é jovem, não sabe o significado destas palavras, mas olhou no dicionário antes de chegar aqui, você será um dia uma pessoa sábia.

Luiz, o (ex) Sábio

=================================

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

demonios da madrugada

1, Agosto 2009 · Deixe um comentário

Hora, diabos, acordei no meio da noite
Pensei em demonios e vampiros
Ou em mulas sem cabeça
Mas a única mula que sobrou foi eu
E nem sorvete tem para o fantasma da meia noite comer
E os duendes não vem lamber o pires de leite que para eles deixamos
E se todos os fantasmas, duendes, demônios e outros seres saidos das profundezas
Que vagam por estas noites imortais
Já se perderam
Onde posso eu me encontrar?

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

jantando

26, Julho 2009 · Deixe um comentário

Tristeza é algo que não se encontra atoa

Eu estava jantando

calmamente

e olhava o mar frio

ondas calmas

e me perdi me encontrando

olhando meu futuro que se desenhava no passado

me senti como se tivesse quinze anos

perdido

e o mar batia

calmo

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Solidão

7, Julho 2009 · 1 Comentário

Encontro-me só novamente

interrogo-me onde errei

novamente

Tantas vezes tentei

De uma janela solitária

De uma janela solitária

tantas vezes errei

só, novamente

interrogando-me

rodando

enlouquecendo devagar

interrogo-me onde acertei

pra poder ficar novamente só

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

Saudades

2, Julho 2009 · 1 Comentário

Por do Sol

Por do Sol

Ah, a saudade que eu teria se você tivesse passeado comigo em Barcelona

E tanta saudade eu sentiria da Alexanderplatz em Berlim

E de andar de caminhar de mãos dadas pela beira do Sena

E sentiria falta da brisa quando o barco nos levasse da Espanha pra Italia

E quanta tempo eu choraria ao lembrar de nosso passeio de gôndola em Veneza

Ah quantas saudades de coisas que nunca fizemos

Da praia da Bahia em que deveríamos ir

Do hotelzinho da serra gaucha onde dormiríamos encharcados de vinho e amor

Ah quantas saudades eu sentiria

De ver os quadros tão lindos do museu do Louvre e dos museus de Madri

E ver o sol descer as dez horas da noite em Paris

Copacabana à Noite

Copacabana à Noite

Sentados, de mãos dadas, de frente pros becos de Momartre

E quanto tempo teríamos brincado nos jardins das tulherias

E nos assustados com as torres de Notre-dame

Ah quantas saudades eu sentiria

De coisas que nunca fizemos

Se eu não estivesse

Com saudades das pequenas coisas que contigo vivi

(e que tão felizes me fizeram)

→ 1 ComentárioCategorias: poesia
Etiquetado:

A bolsa ou as torres

12, Junho 2009 · Deixe um comentário

O barulho que fizeram as torres de nova York quando caíram

Foi pouco diante do barulho que fizeram as bolsas quebrando em 29

E os mercados caindo em 2008

Crack! Crack! Crack!

Como um biscoito crocante

Os olhos que choraram na queda das torres

Não choraram tanto quanto os que choraram em 29

Não choraram tanto quanto os que berravam em 2008

Crack! Crack! Crack!

O barulho da torrada ao quebrar

Crack

Homens queimados e torrados nas torres

Não torraram tanto quanto torraram os operários em 29

Não torraram tanto quanto os operários em 2008

Crack crack crack

Quebram bolsas e empresas

Gigantes como a GM não existem mais

Crack crack

As torres que caíram fizeram tantos lucros

Tantos políticos e tantas guerras

Crack crack crack

Em 29 fizeram hitlers e bomba atômica

As torres que caíram

Produziram iraques e afeganistoes

E agora, em 2008, quantas mortes e miséria produzirão?

Crack crack crack….

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria · poesia

O avião caiu

2, Junho 2009 · Deixe um comentário

O avião caiu

E ninguém viu

Ninguém dos que aqui sobraram nesta terra imensa

Viu ou deixou de ver

Só depois, no dia seguinte, soubemos que o avião sumiu

Eu, cético assumido, materialista confesso

Pergunto-me enrolado em cobertores

No meio de uma gripe chata

Afinal, se tem satélite mostrando cara de gente em qualquer rua

Se tem satélite mostrando gente pelada no seu próprio quintal

Se isso vira noticia e tem até um sistema pra gente bisbilhotar a vida alheia

Se a fofoca agora é eletrônica

E o big brother muito maior que o sonhado em 1984

Se espraia em cada dia e cada hora de nossas vidas

Como é que ninguém viu e ninguém vê o avião que sumiu?

Sei que alguns oram desesperados a deus

E outros lembram que a mais coisas entre o céu e a terra que sonham nossas vãs filosofias

Eu, macaco velho que já não mete a mão em cumbuca

Relembro enojado que a vida do vizinho pode valer dinheiro

Mas salvar vidas humanas no meio do oceano custa muito mais dinheiro

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Fantasmas…

1, Junho 2009 · Deixe um comentário

Eu gosto do gasparzinho
que me acompanhava nas noites de criança
lendo revistas em quadrinhos
adoro o trio assombro
que só assombrava a si mesmo

eu ainda ei de passear na Escocia
e visitar todos os castelos por lá
e, a noite, dormindo num dos quartos,
assustar-me com as correntes a tremular

Ah, as ruas de Londres
E o Fantasma de Baskerville
Tudo se confunde e me perco
entre lances de memoria e desejos

Já fiquei a noite inteira num cemitério
procurando um fantasma junto com um menina
e bebemos uma garrafa inteira de cachaça
e fizemos amor em cima de um tumulo
os fantasmas não apareceram
e fugimos correndo antes dos coveiros chegarem

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Gripe

29, Maio 2009 · Deixe um comentário

Acordo com o nariz entupido

Depois a cabeça começa a doer

Tomo chá e remédio para febre e dor

Empaturro-me com inutilidades

Sento

Incomodo

Deito

Incomodo

Descer uma vez por dia que o animo não chega para levantar da cama

Ouço musica

Antigas

Novas

Quero colo

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Zé Rodrix

22, Maio 2009 · 1 Comentário

Pois é

A morte, esta definitiva que atinge a todos os humanos

A morte levou o Zé

Não foi a dona morte das historias da Monica que tanto amo

Nem a boa morte

Apenas morte

E o sertão, quem diria, virou mar

Confirmando a previsão

E as cheias também trazem a morte

Como morrem a cada dia nos morros do Rio

E estranhamente

Meu coração onde se plantou o sal e endureceu

Sente mais a morte do Zé que outros Zés por ai eu poderia sentir

E são tantos Zés

Zé com fome, Zé sem casa, Zé levado pelo Rio

Zé a quem a bala no morro achou

Zé que perdeu o emprego e junto a morte chegou

Ah, queria eu ter como Bandeira

Aprendido as lições de partir com o aeroporto em frente

Eu que sonho com minha casa no campo

Tenho pimenta plantada nos olhos

E a morte desse Zé faz a pimenta arder e as lagrimas descem

Ah, a morte, esta definitiva, levou o Zé

E levou junto um pedaço de mim

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria

Descanso

22, Maio 2009 · Deixe um comentário

descansei da poesia

esta velha maldita cheia de palavras e cadeias

que me prende sempre em frente

em rimas mediocres desfeitas em lagrimas

descansei da poesia

quem dera descansasse da vida

o sol descansando

o sol descansando

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Doenças

29, Abril 2009 · Deixe um comentário

Em tempos de gripe

Espirro

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Doçura

25, Abril 2009 · Deixe um comentário

Eu sempre gostei de doce

E sinto a falta deles

Sinto a falta das mulheres doces que amei

Faltas

De coisas e pessoas que passam em nossa vida

Das coisas que senti

Das paixões que vivi

Dos amores que sofri

Sofrimentos

Alguns atrozes, outros suaves

Doces e embrigantes

Me fazem sentir vontade de dormir

Dormir e não mais acordar

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Amor perdido – sem data

24, Abril 2009 · Deixe um comentário

As vezes, quando acordo, busco um corpo ao meu lado

Eu sei, dormi com alguém no dia de ontem

Eu sei, eu dormi e ela se foi

Foi-se o amor frenético de ontem

E nunca mais a verei

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado: ,

Marear

23, Abril 2009 · Deixe um comentário

Ontem ventava muito na calçada de Copacabana

Eu passeava distraído

Pessoas passavam e não vi nenhuma

Não vi as mulheres bonitas,

As velhinhas que passam sorrindo muito direitas e espevitadas

Não vi as crianças correndo

Em dia de introspecção

Só vi o mar

Só vi as ondas

E senti quando o vento deixou de bater

E veio aquela brisa suave de fim de noite11012009130

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia
Etiquetado: , ,

Poesia

22, Abril 2009 · Deixe um comentário

Tem gente que sobrevive buscando comida

Outros vivem da bebida

Eu vivo da poesia

A poesia da luta nossa de cada dia

Tem gente que ama

Tem gente que odeia

Eu faço poesia

Poesias de amor e ódio

Tem gente que passa pela vida

Tem gente que vida passa por eles

Eu passo pela poesia

E a poesia é tudo que faço

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia
Etiquetado: , ,

Chove lá fora

21, Abril 2009 · Deixe um comentário

Chove lá fora

E já não sinto a vontade de chorar

A água que cai já não atrai minhas lagrimas

Chove lá fora

A casa está silenciosa

Só o ronco baixo do computador

Já não existem os gritos e algazarra das crianças

Nem choros suaves e cantos ternos

Apenas o silencio impera

Tento sorrir e a boca não contrai

Tento chorar e as lagrimas não saem

Chove lá fora

E a água que cai já não atrai minhas lagrimas

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia
Etiquetado: , , ,

Pesadelos

16, Dezembro 2008 · Deixe um comentário

Pesadelos

20-02-07

Eu adoro filmes de terror

Em que os pesadelos são sempre negros, sombrios e escuros

Adoro ver aquele clima pesado e fechado

(meus pesadelos são muito, muito, luminosos)

 

Eu fiquei extasiado quando li Drácula

E ri e brinquei ao ler o Edgar Allan Poe

Sorri com Frankestein

Vivi e briquei com Lovercroft

(meus pesadelos são mais luminosos que as pinturas de Cézanne)

 

Os monstros de cinema me enfastiam

As vezes me dão nojo

(meus pesadelos são mais coloridos que os quadros de Di Cavalcanti)

 

Em um pesadelo luminoso

No sol quente e belo de Copacabana

Você soltava os pássaros presos da gaiola

Pássaros coloridos, tão lindos

E eles, coitados, de asas cortadas, caiam devagar rumo ao chão

Ao invés de voar

 

Eu chorava e gritava

E te pedia “por favor, diz que não é verdade”

E você sorria, sorria

Um sorriso luminoso, colorido

Tão bonito que doía os olhos

E subia na sacada da janela

E pulava

 

Eu não ti vi lá no chão

Chorei frente a porta do vizinho e gritava e chorava

Uma porta tão verde que o verde descrito nos livros de José de Alencar se tornava pálido

E acordei chorando

Repetindo

“diz que não é verdade, por favor, diga”

 

As noites luminosas vieram

E destruíram todo o negrume dos pesadelos dos filmes de terror

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Este Mundo

13, Dezembro 2008 · Deixe um comentário

No meio do caminho não tinha nada
Até a pedra de Drumond venderam
E a força da grana que ergueu um dia coisas belas
Hoje destrói homens e mulheres, belos e medonhos
Arrastando em sua passagem o sal da terra
E deixando um deserto negro, coberto de esqueletos de prédios mal construídos
A esperança verde refugia-se num canto
Esperando o sol do meio-dia e o canto da cotovia

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

O Futuro e a crise

11, Dezembro 2008 · Deixe um comentário

Indistintos

Rostos que passam são o passado

Rostos que passam lembram-me o futuro

Que escorre entre meus dedos e a memória

Tenho lembranças do futuro e esperanças para o passado

 

Praia noturna

Caminhando na praia a noite em direção a minha casa

Uma praia que de tão iluminada pouco se distingue do dia

Só longe a escuridão do mar, indistinta

Perto, as luzes cegam quem pensa em estrelas

Da lua, então, nem pensar se pode

Os olhos querem subir em direção aos céus

E são repelidos pelas luzes e pelos olhares desaprovantes dos passantes

 

Crises

Meu corpo em crise não quer andar

O mundo em crise está parando

Pessoas morrem, desesperam-se e morrem mais ainda

Morrem de coração e mente

Meu corpo em crise se recusa a morrer

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Derreter na Chuva

15, Setembro 2008 · 2 Comentários

Coitados de nós que derretemos na chuva

Coitado do mendigo que sofre com a chuva

Coitada da namorada cujo amado não veio por causa da chuva

Coitado do esposo cuja mulher ficou presa na chuva

Ah, a chuva já lavou minha alma e meu coração

E derrete nosso ânimo e nossa vontade

Enquanto por encostas desencostadas descem barracos e vidas

E nas beiras de rios e lagoas pessoas perdem casas, filhos e irmãos

Na Chuva

Chove como se fosse chover o ano inteiro

Chove por todo o aquecimento global mais chuvoso que solorento

Bolorento

Chove e espalha a chuva de sofrimentos

Nem se nota a lagrima de quem sofre …na chuva

→ 2 ComentáriosCategorias: Sem-categoria

Amor desistível

8, Setembro 2008 · 1 Comentário

Se me amas

deixe-me partir agora!

Dormiremos em separadas camas

não gastarei nem mais uma hora!

Seie de tudo isso, mas..

você não está em uma abobora!

Não existe em seu pescoço preciosas gemas

o que eu posso fazer, bolas ora!

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria

Versos pobres

27, Agosto 2008 · Deixe um comentário

Queria eu ter a sutileza de um poeta

Que um dia soube extrair versos de um homem comendo em uma lata de lixo

A doce ironia de um versejador

Que se abaixou na hora do soco

Mas não

Meu versos descem como chumbo frio caindo no chão

Duros, irritantes

Descem crus pela garganta e incomoda sua má disposição

Talvez se escrevesse com pena molhada na tinta

Talvez se escrevesse com lápis e papel

Mas os versos saem insossos deste martelar incessante em teclas de plástico e metal

 

E sem ter sutileza, leveza ou ironia

Ao ver que pobre no mundo é quem ganha menos de 1 dolar e 25 cents por dia

Ao ver em linguagem fria de números que os pobres estão diminuindo

Ao ver esta mentira contada de forma tão fria

Apenas sobra a desilusão, a decepção

De em versos apenas saber dizer

Que no coração bate o ódio e a determinação

 

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Contando

18, Agosto 2008 · Deixe um comentário

Criança ainda, eu contava estrelass

E muito antes de Star Treck eu viajava por sois e planetas

Em espaçonaves mais rápidas que a luz

A força do pensamento

Percorrendo galáxias inimagináveis

Eu contava as estrelas

E também contava a elas

As minhas tritezas e alegrias

Sonhos, amores e decepções

Em noites repletas de imaginação

Depois, um dia, surpreso, descobri que Bilac ouvia estrelas

Mas não as contava

E contei números e dinheiro

Virei contador

Medindo balanços e lucros no escritório do meu pai

E contando a noite os sonhos para as estrelas

E em números traduzi as medidas da Terra

Contando seus números e sua ciência

Contei e calculei com Newton e Einstein

Equações e formulas desciam velozes pela minha boca em forma de números

Eu contava mais alto

Contava as formulas de Einstein e as equações de onda

Contava ainda

Sonhos e amores

As estrelas doiradas que iluminavam o céu negro

Contando segui a vida

E contando estrelas e ondas cheguei a revolução

E como foi isso eu não conto não

Eu agora ouvia estrelas junto com Bilac

E sonhava

Conto agora pessoas e sonhos

Conto números frio da economia e vidas sofridas neste mundo cruel

Eu conto e sonho

E de ponto em ponto

Aumento um conto

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Sorrir

28, Julho 2008 · Deixe um comentário

Sempre Sorria

eu sempre sorrio

rio

nas praias e no trabalho

sorriso franco aberto estampado

o riso corre frouxo

ouço, sem querer, choros

chorosorrisos

em rostos e olhos que sorriem enquanto choram

o mar estes dias parece bravo

enquanto ando a noite buscando uma lua que se esconde

rio

sem sentir

sem querer

apenas pelo simples prazer do sorrir e rir

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Neblina

25, Abril 2008 · Deixe um comentário

A neblina amanheceu cantando

As gotas pequenas de água molhavam meu rostos

E cantavam canções antigas de ninar

O homem chorava o desespero e o desemprego

Outro olhava calado o trem cheio deseperado

A neblina cantava e engolia desesperos e desesperanças

Do salário baixo e do desemprego

Era um canto baixinho que subia de cada gota

Que descia no rosto da mãe sem dinheiro para comprar o leite

E os filhos rindo com a neblina cantante ainda não sentiam a fome que chegaria

A neblina amanheceu cantando

Canções antigas de ninar

Os prédios subiam e subiam homens construindo

As gotas cantavam enquanto o meu rosto olhava a paisagem sombria

Que a tantos parecia um canto alegre de um novo dia

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Amores

25, Abril 2008 · Deixe um comentário

Tantos amores perdidos

Tantos amores quase esquecidos

Em cada rosto e cada palavra

Busco um novo amor nova confiança

Onde foi que perdi a capacidade de ouvir e me enlevar

Onde esta perdido o meu sonhar?

Talvez em cada mulher que se foi

Talvez em risos perdidos de crianças que cresceram

Talvez nos vagões balançantes de pessoas atrasadas

Que todo dia se acotovelam no chegar e no partir

Eu passo lentamente pensando em mudar o mundo

E pensando em tantos esforços perdidos, homens e mulheres já desesperados pela vida

Eu quero mudar o mundo

E mudo continuamente minha vida

Sem achar o amor que um dia perdi

Sobrando em sorrisos e risos um coração duro que nem aço

Talhado para a luta

Pouco afeito ao amor

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Sonhos coloridos

21, Abril 2008 · Deixe um comentário

Ontem eu sonhei com uma vida melhor

Sonhei com um mundo melhor

E cada dia meu sonho é mais colorido e risonho

Nesse mundo branco e preto de tantas dores

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

A dor não começa no coração

18, Abril 2008 · 3 Comentários

A dor não começa no coração

A dor se espalha dos olhos para todo o corpo

As lagrimas descem e queimam o rosto

A cabeça dói

E depois os dentes

Os dentes do coração

 

E você tenta esquecer

Esquecer todas as mulheres que passaram

Esquecer a adolescente de cabelos compridos que você adorou quando tinha 15 anos

Esquecer as namoradas que te deixaram

Esquecer a loira que nunca te viu

A morena que você desprezou e que deve ter chorado mais que você chora hoje

 

E principalmente você tenta esquecer todas as alegrias que ela te deu

Quando você a carregou até a cama, brincando

Quando ela te cuidou ao estar doente

Quando vocês foram ao cinema ver um filme bobo

Quando viram uma peça chata e você ficou feliz ao saber que ela também achava que era chata

 

E tenta esquecer o seu olhar de felicidade

E tenta esquecer o simples caminhar junto

E seu carinho no telefone que se transformou em frieza

 

Mas vou lembrar cada vez que alguém chegar perto

Vou lembrar da tua frieza, do negar

Vou lembrar em cada dia, em cada hora, em cada minuto

Vou lembrar que amar so rima com sofrer

Vou lembrar que não quero amar

Que não posso me entregar

Que cada entrega é dor,

Porque esqueci a lição apreendida?

Por que fui te amar se não queria?

 

Se um dia lembrar de mim, de meus carinhos e meus cuidados

Entrega para tua filha quando crescer para que ela saiba como tratar seus amados

Fazendo-os sofrer antes que eles o façam

Entrega para teu filho para que nele se fortaleça a vontade de não casar

Que se tornar um casal só quebra você em cada separação

E elas vêem sem que você queira, sem que você saiba

 

Pregue em cada canto da tua nova casa para que ela saiba o que é dor

Entrega para o teu futuro amor para que ele se previna

E saiba que um dia uma triste sina o espera

 

Aprecie cada letra e cada gota de dor

E, algum dia no futuro,

Lembre-se com alegria dos dias que tivemos

Lembre-se que já fomos felizes e que te dei felicidade

Passe na minha sepultura e traga rosas

E lembre-se que você matou quem te amou

→ 3 ComentáriosCategorias: Sem-categoria

Poesicidio em Brasília

5, Abril 2008 · Deixe um comentário

Poesicidio em Brasília

A manchete do Correio Brasiliense diz um pouco do que se passou: Jogaram a poesia na lata do lixo. A matéria começa com um comentário colhido de um morador: “quebraram a obra do professor Cassiano”. Trata-se, esclarece a materia, de um projeto chamado Brasília Limpa. Foi contratada uma empresa terceirizada que limpou todos os outdoors e frontliths (tantas palavras difíceis para dizer que são cartzes e placas pregadas pelas ruas). Também foram retirados os pirulitos que serviram um dia para se pregar propaganda política e que tantas vezes serviram para outros anúncios. Tudo em nome da cidade limpa.

Depois que os prismas de pedra e outras manifestações artísticas que enfeitavam os pontos de ônibus da cidade foram quebradas, que tantos artistas viram suas obras destruídas, ninguém quer assumir a responsabilidade. E um administrador, distraído talvez, ignorante mais provavelmente, propõe: “nossa idéia era procurar um local para alocar essas manifestações artísticas…temos que procurar um meio de compensar essa perda. Talvez conversar com o artista e ver se ele não pode construir um peça parecida”. Sim, como todos sabem, a arte de verdade é igual a determinadas musicas em que se muda uma ou outra letra, uma ou outra nota musical e se repete as mesmas palavras e frases. Sim, talvez o professor Cassiano possa ressurgir do tumulo onde se encontra enterrado desde o ano passado e refazer tudo o que ele um dia tinha feito.

Certo, não foi nenhuma Mona Lisa. Não havia o museu do Louvre protegendo. Havia apenas uma arte singela que alegrava passantes e viajantes, que tornava a cidade mais bela e mais humana. Mas, que interessa tudo isso?

Interessa agora que a cidade é mais limpa, mais clean, no novo linguagar cada vez mais internetico e menos povão. Interessa que os artistas serão “compensados”, talvez mandem flores por 10 anos ao tumulo do professor Cassiano porque nem receber dinheiro podem os mortos receberem. Ou talvez o singelo administrador nunca pensou que tais pedras poderiam ser obras de arte e que como qualquer pedra que o incomodou, pois a arte tem o dom de incomodar os poderosos disse simplesmente: limpe isso.

E mais limpa ficou a cidade, mais longe ficaram os poemas sujos que enfeitavam e sujavam a cidade, mais duro fica meu coração a cada dia que passa, mais vontade de jogar no lixo isso tudo que se pensa elite.

→ Deixe um ComentárioCategorias: crônica

Sonhos

13, Março 2008 · Deixe um comentário

caminho_nuvens_01.jpg

Sonhos

            Doirados

                        Prateados

                                    Enluarados

Eu sonho

            Durmo e acordo

                        Sonho mais acordado que dormindo

                                    Perdido e encontrado

                                                Vivendo em plena guerra

Guerra e Sonho

            A guerra do menino perdido no sinal

                        A guerra do peão que morre a cada dia na maquina infernal

                                    A guerra da mulher mãe solteira casada endurecida pela fabrica

Trabalho

            E sonho

                        Sonho acabar com a guerra fazendo a revolução

                                    E trabalho o tanto que posso

                                                Sonho e trabalho

                                                            Sonho de uma vida melhor compartilhada e vivida

Sonho e Vida

            Sonho de que o trabalho renda uma vida melhor

                        Sonho eu que a luta vai mudar

                                    E vivo o trabalho diário pela revolução

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

E a segunda?

21, Fevereiro 2008 · Deixe um comentário

 dia-cinzento.jpg

Juro, o cronista acordou alegre e desceu alegre pelo elevador (poupo os detalhes matinais, que tantas páginas ocupam em Ulisses de James Joice e mantenho a crônica reta e límpida, desprezando os meandros que tanta fama deram ao romancista). Os porteiros responderam seco a seus cumprimentos, caras amarradas. O dia não tinha um sol aberto, não senhor.

As nuvens deixavam escapar um entreato de sol, mas as pessoas nem uma nesga de sorriso. O rosto duro do operário que carrega uma lata de tinta com a camisa do Flamento um dia depois da vitória. O rosto triste da garçonete que traz a preocupação de casa e antecipação das dores nas pernas depois de 12h de labuta diária sem sentar. O café estava bom, mas o café de maquina é sempre bom, não é?

Subi a rua em direção ao metrô. Não chove? Faz sol? O dia meio nublado parece turvar as pessoas. Revistas e jornais vendidos por um gordo de cara fechada. Pessoas apressadas passam com rostos anônimos fechados em seus mundos, feridos em cada sentimento, os olhos traem um futuro sem futuro.

É difícil, ao cronista, reproduzir em linhas, palavras e letras o clima triste, meio sombrio, que parecia pesar sobre a cidade. O transito fluía normalmente, meio parado, meio andando. No sinal, faltou o boy correndo apressado para entregar algo que ele não sabe o que é, só sabe que tem pressa. A loira falsa cuja blusa deixa mais ver os seios siliconados que os esconde a saia curta na medida para atrair olhares olha a frente desavisada e os homens hoje tão poucos sorridentes nem lhe sorriem e nem a ela dispensam um segundo olhar.

Dia triste? As bolsas subiram e desceram a semana inteira e ninguém notou. O homem comum parece não ver que a velocidade de aumento dos preços nos supermercados caiu e o índice de pessoas empregadas é o maior dos últimos anos. As mulheres passam e sua maquiagem antes cria que refletem o clima do dia cinzento, nem muito triste, nem muito alegre, sem sol ou sal.

dia-de-chuva.jpgCor. Falta cor. Falta sabor, o sabor da gordura, do queijo, da gema do ovo, o sabor sangrento da carne do churrasco gordurosa, o sabor doce do sorvete proibido, do doce de leite.

Desço as escadas do metrô e a moça que vende passagens nem me dá bom dia nem sorri de volta fechada atrás do vidro transparente, ela tão pouco transparente que nem vejo a tristeza dos olhos que se derramam em direção ao mundo inteiro. Passageiros atrasados e adiantados, uns quase correndo apressados batendo em outros sonolentos e eu sinto-me um peixe fora d´agua que sorri enquanto outros ficam de cara parada mais parada que fechada, sem saber sorrir ou chorar.

Subi as escadas do metro e o calor nem era escaldante como como costuma ser no Rio. Nem brisa nem o peso e o cheiro salgado acre enjoativo do suor se disseminou. Dia chato em que até as folhas das arvores caem devagar. Caminho sem sorrir. O guarda da porta do trabalho me pede o crachá. Eu o olho, busco em bolsos e carteira e nada acho. Cadê o crachá? Não sei.

O guarda tem agora um motivo para expressar o seu mal humor. É o chato que esquece o crachá e que tem que resolver o problema, identificar, para deixar ele entrar. E o cronista, finalmente iluminado, sabe o motivo da tristeza do dia. O culpado é ele, cronista, por ter esquecido o crachá, que irrita o guarda, que irrita três ou quatro pessoas para resolver o problema, e a irritação expandida destruiu sorrisos e esperanças.

A iluminação faz sorrir ao cronista em frente ao guarda mal-humorado. Afinal, é segunda-feira, as pessoas estão triste e tudo é culpa do cronista! E, sorrindo, achando-se o centro do mundo ao invés do insignificante verme que é hoje um cronista de blogs furados, sobe sorrindo o cronista o elevador, alheio ao mundo que também não lhe presta atenção, mais preocupado com o dia-a-dia desta vida sofrida que com os sorrisos inconsistentes do cronista doente.

→ Deixe um ComentárioCategorias: crônica

Fantasmas

13, Fevereiro 2008 · Deixe um comentário

 

Sonhei com o dia em que montei no cavalo e me juntei a Pancho Villa

E tal como o Coronel Macondo

Fiz 99 revoluções e perdi todas

Voltando ao inicio do século dezenove

A minha cabeça, dolorida, ver ressoar os versos

“que tem por monumento as pedras pisadas dos cais”

Passa por minha cabeça delirante

Sonhos empedreados nevoentos de monstros de ferro fundido e aço

Canhões ribombando e um velho soturno carregando peixes pescados em canoa pequena

As masmorras fedorentas de homens mortos de cal e falta de ar

As homenagens tentadas e nunca terminadas

Os convites oficiais para entrevistas e homenagens e a perigrinação em hotéis que não aceitam negros

E o homem, triste, encurvados, desdobrado em mil imagens sem se dobrar jamais

E as imagens de tantos que se dobram e desdobram na lide do dia a dia e que por mim perdidos

Acabados

Arrasados

Nascidos de novo em novos homens mulheres tão diferentes que hoje não são mais gente

São fantasmas

Igual ao almirante negro que só é lembrado nas pedras dos cais

 

Confundem-se em minha cabeça todos os cafés da manhã

Mesas, crianças, pessoas diferentes em cada uma das mesas e dias que se perderam

Minha amiga, agitada, encobrindo todos a sua volta

Apressada, não conseguia um momento siquer de descanso, perdida em sonhos e devaneios

Tentando chegar aonde ninguém chegou e só chegou no medíocre lugar comum dos burocratas que um dia venderam seus sonhos em troca de carros, casa, vestidos

Ela, em minha casa, parava e falava da vida como se sua vida fosse duas

A presidente das assembléias e agitações, a mãe, mulher, criança perdida sem rumo

Minha princesa, sorrindo, preocupada com o suco sem saber se preparei direito para as crianças

As vezes trazia o café na cama amor e dor juntos sem que eu percebesse a distancia que se criava e eu não via mais perdido que todas elas

Minha princesa tão cheia de vida, de sonhos, festas, sorrindo, escrevendo, lendo

Me arrastando para a vida quando eu só queria o quieto do meu canto

 

 

Relembrando o passado

Descobri, assustado, que sou fantasma de mim mesmo

Eu olho as pessoas que passaram por mim

Olho aquelas que se afastaram e as que ainda gosto

E me parecem tão distantes, tão irreais

Como todo doido que pensa que doidos são os outros

Eu, fantasma, pensava que os outros tinham se tornado fantasmas

Ilusão.

Eu, perdido de meu passado, deslocado e desenraizado

Tornei-me em fantasma de mim mesmo

 

É difícil explicar este caminho

Caminho que percorri quando minha princesa marinha me abandonou

Caminho feito de dores e de pedras

De pedras que existem no meio de todo caminho

Primeiro eu chorei

E me apaixonei por um fantasma que surgiu de meu passado distante

E ela era distante e era tão próxima

E era tão real quanto reais são os fantasmas do passado

E eu, olhando fantasmas, não via a flor real que de mim cuidava

Que velava pelo meu sonho, pelos meus choros e até pelos amores fantasmagóricos

Sem saber, o fantasma era eu, perdido em cemitérios feitos de dados e de sorte

Sorteando amores e namoradas, trepadas, choros, paixões e beijos

Buscando em todas a princesa perdida

Buscando em mim o passado irreal e onírico que só almas perdidas podem buscar

Briguei milhares de vezes com minha flor

Que mais precisava de cuidados que eu mesmo

Que mais precisava ser enfermeira de si que de mim

E nos afastamos, nos amamos, nos chegamos e nos matamos

 

Fantasmas, só fantasmas, perdidas para sempre em brumas de um passado longinquoperto

Eu, ainda montado no cavalo, general nomeado pelo dedo de Villa,

Revolucionário ginete de novastecnologiaspalavras, ligado a classe operária

Desdobrava-me em reuniõesassembleiasencontrosmanifestações

Numa reunião em eu não devia ir a encontrei.

Passei a reunião a falar com ela e nem lembrava porque lá fui

Ela era uma fada, Risonha e triste ao mesmo tempo

Cujos feitiços me transformaram em príncipe e em carrasco

Fada boa e bruxa má numa só pessoa

Hoje sorridente, amanhã quebrando copos

Hoje cantando, amanha quebrada na cama

A sua cabeça doía e ela se transformava;

Seus filhos eram anjos e demônios

E ela os amava e odiava na mesma proporção

E queria mata-los e salva-los

E me amava e me odiava

E não sabia amar nem odiar

Perdida, suas feitiçarias me encantavam

E sua varinha de condão me afastava

 

Chorando nas pedras do caminho, pedras do caismonumento do almirante negro

Montado no cavalo que Villa me presenteou, eu sonhava

Sonhos que um dia foram realidade, sonhos que sonhamos juntos e hoje a elas nada falam

Sonhos de uma família feliz que tive em dias de amor e cantos

Sonhos empedrados em apartamentos que eu sonhava só

Sonhos que busquei em cada beijo, em cada olhar, em cada lagrima

Em cada briga de criança, em cada momento que eu olhava procurando uma ponte

Ponte que unia o nada do meu sonhamar com a alegriatriste do seu cantar

Sonhos de uma cidadeperdidalteradacaida em um maranhão mareado por lagrimas

Daqueles que cairamorreram como morreu o almirante

E ela via índios camponeses e não enxergava o amor ao seu lado

Sobraram não os sonhos mas os fantasmas que vagam errantes ao meu lado

Enquanto suas sombras seguem pelo mundo sombras do que foram e hoje não mais são

Dei de visitar cemitérios

Cemitérios de idéias, de canções e de pessoas

Pessoas que tinham morrido e não sabiam

Pessoas que viviam como se mortas estivessem

E convivia com pessoas que morreram

E tentavam viver sendo mortasvivasvampiras de si mesmas

E sugavam mais o seu próprio sangue que o meu

Eu olhava-as, espantado e seguia em frente

Andando por cemitérios enquanto pensava andar em lugares alegres

Nos afastamos eu e ela

Ela voltou ao planaltocemitério

Eu, fantasma translúcido a olho como fantasma de um cemitério distante

O sol passa por mim e não deixa sombras

Todas elas perdidas em cemitérios distantes

 

Devaneio

Um dia escrevi que o quarto onde eu estava me enchia de tristezas

E o que me enchia de tristezaa era a dor da perda

Perdas que se transformaram em fantassmas

Antes ao ver rosililia eu queria morrer

Eu desejavamavasonhava sonhos perdidos ilusões

Hoje os fantasmas delas as vezes povoam minhas noites

Mas ouvir seus nomes ou suas vozes

São coisas esquecidas que já não tocam as fibras do meu coração

E as vezes choro pelo canto não por fantasmas perdidos

Mas por sentir como perda a perda do sentiramar

Choro não sentir dor, choro não sentir a ausência

Choro por não querer mais o que antes me era tão caro

 

E eu, revolucionário, que um dia cavalgou junto com Pancho Villa

que navegou junto com o Almirante Negro

e se juntou a todas as revoluções feitas em Macondo

Agora não posso apear

Sou o fantasma de Macbeth, empunhando a espada flamejante

Sou São Jorge caçando a burguesia-dragão

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Olhos coloridos

6, Fevereiro 2008 · Deixe um comentário

Vícios coloridos do teu olhar furtacor

Teu olhar tricolor

Melazulpastel

Teu olhar infiel

Amiel olhos_arco_iris.jpg

Tua cor que se derrama de cabelos e ventas

Soprando mentas cruentas amarelentas

Tormentas

Viciantes amantes do teu olhar bicolor

Amormente inclemente

Sofregamente

Ardentemente

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Dor

5, Fevereiro 2008 · Deixe um comentário

paisagem-guaratuba-andersen-1925.jpgTamanha é a dor

Tamanho é o sofrer

Que o meu cantar se apagou

As palavras que correm no papel

Escorrem sofridas do meu coração

Os beijos que saem de minha boca

São suspiros tormentosos do meu sofrer

O abraço que te dou suave e carinhoso

É só lembrança amarga do meu viver

Tamanha é a dor

Que cada corpo que passa é só torpor

E o ardor do meu amor

É puro amargor

Tamanha é a dor

E pouco, muito pouco, o que penso ser amor

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Achados e perdidos

24, Janeiro 2008 · Deixe um comentário

Achada e perdida

Nos banheiros da vida

Que era boa, era boa

Sabia eu se ia gostar

Pensava saber do seu olhar

Nos olhos freqüentes da mente carente

Já foi

Errante e pedante

Empolgada e excitada

Indiscreta e secreta

Exata

Flecha radiante do negro piche

Que corta o dia brilhante

O espelho do banheiro se quebrou

E eu a perdi na luz da lua queimada

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

17, Janeiro 2008 · 1 Comentário

Escrevendo

Eu escrevo em pedaços de papel

Em margens de livros

Na agenda e na mesa

Digito furiosamente idéias incompletas

Enquanto vejosonho corpos ardentes que passam em frente aos meus olhos

 

Eu escrevo o que não vejo

Escrevo dores que não senti

Amores que não vivi

Desejos que não completei

Escrevo mais nãos que certezas

Escrevo o que não é

Eu escrevo não

Não escrevo

Não

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria

Pergunte ao sol

15, Janeiro 2008 · 2 Comentários

 

Eu não sei o que houve por aqui

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

E quando acordei já amanhecia

Eu vi tantos rostos lindos

Que mostravam-se na praia sonolenta

Rostos risonhos na areia fina

Areia que entrava em meu dedos

Eu vi tantos rostos lindos

Rostos tristes de um alvorecer doirado

Pergunte ao sol o que aconteceu

Aonde foram parar os sorrisos noturnos

Eu vi teu rosto doce a me fitar

E alvoreceu um duro olhar a me matar

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

→ 2 ComentáriosCategorias: poesia

Hoje

12, Janeiro 2008 · Deixe um comentário

Hoje

Hoje passaremos a noite a fazer poesia

A cantar alegria

Cada tristeza será um verso doente e cruel

Para ser aplaudido e vaiado

E, principalmente rido

Risos viajantes de copos cheios

Risos troantes de piadas perdidas

Riso

Passaremos a noite a fazer poesia

A rir e gargalhar

Da dor que invejamos e não vivemos

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Terça a passar

8, Janeiro 2008 · 1 Comentário

estrada2.jpgEsta terça custa a passarprato.jpg
Passam pessoas lentas na hora de almoçar
Esta terça custa a passar
quero que o tempo passe rapido e algo de novo venha chegar
e só vejo coisas andando devagar
a musica que toca no rádio é antiga
as noticias repetem-se e nem isso é novo
tudo é velho e decadente neste predio velho
pessoas novas caminham como se velhos fossem
sinto-me um bicho estranho, um dragão perdido na lua
acossado não por um santo, mas pelo doce langor do nada fazer
Ah, se um raio de vontade voltasse
e atingisse a todos e fizesse tudo andar
Ah, se um raio de vontade saltasse e tudo movimentasse
mas até as ondas do mar são lentas
e o sol torna tudo languido e preguiçoso
até minha preguiça se torna um ponto
neste mar de preguiça involuntária que o verão se tornou
Chegue logo meu amor
não consigo aqui ficar

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria

Tristezas

5, Janeiro 2008 · Deixe um comentário

30/8/2005 07:46
Um velorio, como aqueles do interior, concorrido
salgadinhos, cachaça, choros, lembranças do que já se foi
Eu, enlutado por um amor perdido e pelo amigo morto
vi teus seios furando a blusa negra – tesão!
O enterro foi triste, como qualquer enterro
E fiquei só, esquecendo tua blusa negra

 lagrima.jpg

Areia

20/8/2005 17:25

Tristeava pela praia, distraído

meninas passavam aos abraços com namorados
um vendedor de picolé com uma caixa pesada
suava, com um olhar de desespero enquanto poucos compravam
uma familia comia mariscos refogados
e o menino espalhava areia em cima das toalhas

O mar estava lindo
E as ondas, ao bater, choravam como eu queria chorar e não conseguia
Uma loira sentada compunha ao lado de gordo um quadro estranho
parecendo uma foto de revista de fofocas

Parei
queria lembrar-te alegre
lembrar-te cantando
mas tudo o que eu conseguia
era ver um velho dançando na calçada de copacabana
como se estivesse em um sapateado no palco da Brodway

As lagrimas desciam pelo meu rosto
quentes, amargas, salgadas, viscerais, entediadas

Os dias em Copacabana são cada vez mais quentes,

As noites também.

Na calçada, passam putas tristes e alegres

Olhando cada homem como um cliente em potencial

Sorrindo amargas, convidativas.

Alegres, enjoativas.

É triste lembrar que o seu amor se foi

Perdido no interior desse Pais imenso

É triste lembrar as brigas viscerais

Em que tudo o que temos de ruim veio a tona

As águas que rolaram do meu rostos

São mais salgadas que as do mar em Copacabana

Andando na areia, olhando o mar

Dos meus olhos descem águas entediadas

O oceano cobre o meu rosto sem que eu tenha saído da areia

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Dias Corridos

3, Janeiro 2008 · 7 Comentários

 

sol07.jpgOs dias que correm e que são corridos

Mais parados que o sol do meio dia

Corridos porque não corremos

Corre o dia, corre a cotia

Só não corre nossa vida tão corrida

O sol do meio dia esquenta e entedia

Corre a vida escorrida em sarjetas arredias

Só não corre nosso amor arredio

Corridos estão todos

Corridos os pedidos chorados

Corridos os dias perdidos em bares e vias

Corridos estamos

Em busca de dias corridos e vidas corridas

Em camas beijos e sofás

Escorre mais que corre o amor fugidio

Eu busco o dia e só encontro noites

Eu busco o clarão do meio dia

E encontro a lua em via de se tornar poesia

→ 7 ComentáriosCategorias: Sem-categoria

Des-Compasso

1, Janeiro 2008 · Deixe um comentário

Teu coração bate em compasso

Teu coração sorri de tua foto

Teu coração sorri em tuas frases

 

Estava sentado na praia, distraido

Quando passaste e me mandaste um beijo

Nem tive tempo de virar direito

Nem pude ver você inteira

 

Vi teu rosto, teu sorriso

parece-me que ias como o filho, brincando

Parece-me que ias sorrindo com os olhos duros

E, estranho, maquiada, numa praia

 

Os cabelos longos desmanchavam-se com a brisa

e você sorria, sorria

Não vi muito

Não dissestes quase nada

Mas guardei o beijo

esperando que volte e me conte mais sobre ti

esperando mais beijos

e quem sabe um abraço carinhoso

 

O rosto é lindo

Os cabelos descem, emoldurando o rosto

mas o rosto é sério

Combina com as palavras escritas

 

Vejo-a nas paginas da internet

Assim séria, assim compenetrada

Pensando nas dores que a fizeram assim

Sofrendo junto a vontade de amar

 

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Cansaço

31, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

 

Policiar me cansa
Cansa-me não falar palavrão quando não devo
Cansa-me não brigar a hora que não posso
Cansa-me não beijar quem não quer
Cansa-me não amar quem não me ama

Somos policiais de nós mesmos
Escondendo os desejos
Traindo nossas ambições
Prendendo nossos sentimentos

Eu quero virar ladrão
Ladrão de corações e beijos
Ladrão de sentimentos

Que vive dos sentimentos alheios
Que sofre as dores e sorri os sorrisos do outro
Porque os meus foram tão policiados que se esconderam

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Precisa-se de um novo amor

30, Dezembro 2007 · 2 Comentários

Classificado

Precisa-se de um novo amor

Que, antes de tudo, eu não precise explicar o que é o amor

    Que seja honestamente desonesta

    Pois as mulheres sempre mentem

Que saiba fazer poesia com os olhos e o coração

    (não precisa botar no papel)

Que saiba me colocar no colo quando vir meus olhos tristes

    E queira sentar abraçadinha em meu colo quando chorar

 

Que saiba dizer eu te amo a hora em que não preciso ouvir

    E também nas horas em que preciso ouvir

    Que saiba ouvir eu te amo sem enjoar

        E principalmente saiba responder

 

Que me beije a qualquer hora

    E me peça para segurar sua mão quando andar na rua

 

Que brigue muito comigo

    Que tenha ciúmes

E depois me beije, me abrace

    E diga que me gosta e já esqueceu tudo

 

Que seja minha companheira e saiba dizer que estou errado sendo carinhosa

    E saiba errar sem se incomodar

Que saiba chegar devagar

    Pois o amor não pode se apressar

→ 2 ComentáriosCategorias: poesia

Vida

28, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

 

Vida

 

A minha vida é triste

Eu sou alegre

Premido por esta contradição

Sigo em frente

Choro as vezes

Rio

 

E me derramo rio afora

Rio adentro

Na praia em dia de sol

No mar banhado pela lua prateada

(e me sinto envergonhado pelo pobre verso com adjetivo tão banal

Mas a lua me consome e não me deixa falar mais nada)

 

 

→ Deixe um ComentárioCategorias: poesia

Terras e sonhos

27, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

Eu sou terra e sentimentos

Eu sou ar e pensamentos

Queria ter sentimentos belos

Queria que o amor fosse meu maior pendor

Mas, ai, da minha cabeça dura

Sobra muito de amargor

Sobra muito que vem deste mundo cruel e humano

(desumano? mas o homem é o animal mais cruel que sobre a terra)

Eu quero a felicidade

Brigo por ela e sei que ela não virá só do meu labor

É dificil ser feliz quando no mundo há tanta dor

é dificil ser feliz quando no mundo há tanto engano

Eu, duro, enrijecido pela luta, triste pelas mentiras,

sigo, as vezes só, muitas vezes acompanhado

Galgando os céus aqui na terra

(que de ilusões sobre outras vidas não vivo mais)

Queria espalhar o amor

Sofro a dor

Vendo esperanças, mostro os sonhos, caminho em direção a lua e as estrelas

 

“no momento estou,no RIO,aonde trabalho!!!

mas,perdida nunca!!!”

Eu, perdido em sonhos, torto em meus pensamentos

Ando solto por Copacabana

Tentando ver se há algo no mundo que me prenda

Queria ter a certeza de não estar perdido

Queria estar certo e não desnorteado

(ou quem sabe, orientado para o sul, para o oeste ou para o leste, mas sem rumo…)

Meu unico rumo é girar o mundo

Vira-lo ao avesso, de ponta cabeça,

Romper todas as barreiras e todas as muralhas

que separam o humano do ser humano

Queimar no fogo do inferno os que fazem do mundo um não mundo

 

Quem trabalha faz o mundo

E quem faz pode, um dia,

Tomar em suas mãos o que ele proprio faz

E eu, sonhador do presente,

Ajudo a quem trabalha a por as mãos no futuro

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem categoria

De convites e de crises

27, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

Eu queria fazer um convite poético

Falta-me talento e inspiração

Tudo o que consegui foram linhas atravessadas

Dizendo que agosto é mês de gosto

E o gosto posto em mesa poética

Que todos saberemos apreciar

 

 

 

Estive em São Paulo em plena crise

Naquela segunda em que tudo parou

E que a marcha ao caos do capitalismo se mostrou, odiosa, monstruosa, temerosa

E agora, o que resta?

Resta o nosso combate pelo socialismo

Resta irmos todos ao encontro de nossa comunidade

Pois “enquanto houver burguesia não vai haver poesia”

É certo

Mas, até acabarmos com a burguesia

Seguimos tentando fazer poesia

Enquanto a nossa volta o capitalismo tudo destroi

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem categoria

Carta a mulher amada

23, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

Bom Dia Amor

Como é que você vai? E as crianças? Desistiu de fazer política? …….. E a …..? Continua muito irônica? Melhorou daquele probleminha de saúde ou ainda sente? E ……..? Insolente como sempre?

O ………e a ……….estão indo muito bem. O ……..está atolado até o fundo do coração naquele seu projeto de curso, preparando-se para passar para a pós-graduação. Não digo que não sinto falta dele porque sinto. Imagina só, minha filhinha segue, em determinada medida, os passos do pai. Me sinto orgulhoso e temeroso. Sei lá. Acho que você deve sentir isso em relação a…….., só que ela está ai ao teu lado, em determinada forma você não pensa mas controla o que ela faz. A ……..está longe. E perto. O coração sente.

Desde ontem que estou com saudades da minha avó. Fica voltando em minha mente as cartas que recebia dela, longas, escritas com uma caneta mais roxa que azul. Cartas simples, falando do dia a dia, do doce de figo, da saudade, perguntando pela saúde dos outros. Alguns dizem que foi o e-mail que matou as cartas. Sei não. Pra mim foi o telefone. Quando instalaram o bicho lá em casa, quando a gente consegui falar com a Campos Altos, as cartas começaram a rarear. Mais fácil falar. E o bichão preto, ali do lado, sempre que se queria era só pegar e chamar a telefonista. Depois veio a ligação direta, sem telefonista. Mais simples, mais fácil. Matou as cartas.

Ai, agora, volto a escrever cartas. Sintoma de morte? Não acho. Acho que meu renascer – você deve ter visto a poesia que fala disso – me levou por caminhos que nem eu suspeitei que existiam. Ligou coisas iligáveis. O novo e o velho. Meu coração disparou por caminhos que não percorri, subiu montes que não devia ter subido e bronzeou-se no sol da manhã.

Ontem, ao chegar em casa vindo de SP soprava uma brisa ligeira. Trazia o cheiro do mar, o primeiro cheiro do mar de quando pela primeira vez cheguei ao Rio. Não digo que não senti tua falta. Sabes que sinto. Mas é um sentir doce, sem mágoa, mais para esperar que para doer.

As visitas da minha avó em minha casa eram diferentes. Trazia um vento novo, um que de doçura que nunca mais tive. Ela nunca veio ao Rio, embora eu tivesse mudado quando ela ainda era viva. Não consegui ir ao seu enterro. Chorei como nunca tinha chorado antes, sempre pensei que minha avó viveria para sempre. As lagrimas descem pelo meu rosto quando escrevo isto e não consigo evitar. Minha mãe ficou de mal comigo por não ir ao enterro mas doía demais. Depois, enterrei outros. A dama branca tem amores estranhos. Levou meu tio Cornelio, minha tia Sinesia, meu tio Osmar, meu pai, meu avô (quando meu pai ainda era vivo), minha outra avó, meu outro avô. Sobra minha mãe. Meus irmãos. Segue a vida e sigo eu. Renascido, embrutecido e terno.

Os amores hoje passam sem muitas dores. É isso que significa ter o coração duro, renascido. Os sonhos aumentam a medida que envelheço. Perco o juízo que tive, se é que tive, em algum momento da juventude.

….. As serras de Petropolis continuam lindas. Existe a tentação. …as serras estão lá, está lá o barzinho, o hotel, todas as coisas boas que valem a pena ser vividas. Está lá o teatro onde assistimos ……… Estão lá os bosques e as casas que você sonhou um dia em viver. ……… A paciência continua pequena, você sabe, mas eu a tenho suficiente ………

Beijos ……..

Luiz

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

A fé e a vida

22, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

O fim da fé 16/9/2005 04:26

A fé é cega
e nos fazem acreditar desde criança
em papai noel, em fada madrinha e em deus
e nos levam as igrejas
e nos ensinam a rezar

Minha cunhada não gostava da palavra desgraça
“é estar fora da graça de Deus”
Ensinou meu sobrinho a rezar
“Ave Maria…”
E ele repetia, rindo, toda hora que eu pedia pra ele rezar
“Ave Maria cheia…DESGRAÇA”
e dessa voz inocente de criança
chorava minha cunhada

Muitos são como ela
chorando o que não deve ser chorado
por achar que precisamos ter fé
que precisamos acreditar
Quando a unica coisa que precisamos
é nos despir de toda a crença
e seguirmos nossas convicções

Coloque-se o rei a nu
Como não se tem dinheiro para isso ou aquilo
e se tem bilhões para 3 ou 4 banqueiros de juros de dívida?
é preciso repetir, como Maiakovisk
“come caviar, mastiga ananas
Tua hora chegou, burguês”

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

Ascensão e queda das sorveterias

22, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

Ascensão e queda das sorveterias

Quando eu era criança a única sorveteria que eu conhecia eram aquelas antigas, que faziam um sorvete em máquina, enjoativo.

Havia 3 vidros, coloridos. Você escolhia um dos três, o atendente colocava uma casquinha e o sorve derramava-se.

Fiquei espantando quando vim ao Rio pela primeira vez (ou será na segunda vez? Não lembro).

Existiam sorveterias com fabricação própria e as industriais (Kibon, sem nome). Era gostoso descobrir uma sorveteria nova, que fabricava tal ou qual sabor de forma diferente.

Sempre gostei muito dos sorvetes de frutas. Abacaxi, limão, ameixa, manga. Havia uma sorveteria no Leblon que fabricava um sorvete ótimo de manga. Perdão, não era no Leblon, era na Tijuca (Praça Saens Pena).

Em Copacabana, vivia experimentando um e outro sorvete.

Foi nessa época que abriram uma sorveteria nova em Brasília. E foi o começo do fim.

As sorveterias chegaram ao apogeu. Transformou-se o antigo banana split. Dezenas de sorvetes com dezenas de frutas. Isto começou em Taguatinga e, apesar de esquecer o nome da sorveteria, lembro o nome dos sorvetes: colegial, melba, super melba, hawai, universitário.

O universitário vinha com 2 ou 3 bananas inteira numa taça com 8 ou 9 bolas de sorvete e 2 litros de suco de laranja. A maior diversão da vida era levar algum novato na sorveteria e convence-lo a pedir um universitário. E o sorvete era gostoso.

Alguns anos depois acabaram com o universitário. E inventaram a tal “sorveteria a quilo”.

Hoje, estive no Alex, no Leblon. E descobri que não havia sorvete de ameixa (que, todo ano, era ritual tomar um sorvete de ameixa no Alex, com a Rosi, nas férias)

Se não vivi o triste fim de Policarpo Quaresma, vivi o triste fim das sorveterias.

Até ouvi, em frente ao Alex, uma mãe dizer ao filho: “tem sorvete no MacDonalds”

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

Me Perdoa

13, Dezembro 2007 · 1 Comentário

Me Perdoa

Amiga me perdoa se o meu cantar é mais vacilar

É que o luar é triste e o sonhar persiste sem saber cantar

A neblina insiste e enrola o meu sonhar

E eu que queria ser claro só consigo voltear

Não sei o que quero só sei falar em amar

Mas este amor é tudo sem saber o que é amar

E eu triste assim perdido no andar

Só te digo agora que o amor embora seja todo o meu penar

Eu quero amor sincero, beijo, bolero e ar

Não diga asneira, essas eu me reservo

Sou todo errado, de falar e de pensar

Perdido e só só faço chorar

Meu olhar matreiro vê a Lua cheia e pensa inté cantar

mas a neblina envolve e só sobra o voltear

canto em cada canto sem poder olhar

e a terra enterra todo o meu penar

não me peça nada só tenho calar

meu olhar inteiro perdido no terreiro

espreita o galo manso que se faz de sonso

e pipoca espoca em cada voltear

pedido sincero volte a me abraçar

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado:

Passagens

13, Dezembro 2007 · Deixe um comentário

Passagens

Ao viajar, me atrapalho com as passagens
Nunca sei aonde as coloquei
Ao viver, me atrapalho na passagem
Não sei de onde venho e aonde vou
Sei, nasci de minha mãe
Sei a cidade onde nasci e todas por onde passei
Sei até – vejam vocês – o nome de minhas namoradas
mulheres e amantes
Só não sei aonde deixei
o amor que tanto quero
e o fogo da paixão que deveria arder em meu coração

 

a vida continua a passar e passamos por ela como cometas

brilhando quando chegamos perto do sol

e escurendo quando ele se afasta

 

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2263243 – Amor e Odio em Poesia e Arte

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem-categoria

Beijos frios

11, Junho 2007 · 1 Comentário

Beijos frios

Eu sempre me imaginei fazendo amor frente a uma lareira vermelha vivo

E nunca fiz

Eu sempre me imaginei beijando uma linda loira na neve gelada

E nunca fiz

Eu sempre me imaginei brincando de bola de neve com uma namorada em casaco de peles

E nunca fiz

Eu sempre me imaginei correndo de mãos dadas enquanto a neve cai

E nunca fiz

Eu sempre me vi sorrindo no frio enquanto minha namorada patina no gelo

E nunca fiz

Eu sempre esperei o frio para ter o calor do teu corpo

E nunca tive

Beijos (frios?) quentes em teus cabelos esvoaçando no frio vento do inverno

→ 1 ComentárioCategorias: Sem-categoria
Etiquetado: